O QUE É A UMBANDA ?

O QUE É A UMBANDA ?

 

É a única religião essencialmente brasileira. Foi criada a partir da dificuldade dos negros nas senzalas de cultuar os seus Orixás, antes adorados no seu continente de origem.

A estrutura da Umbanda foi  sendo criada dentro da realidade encontrada no nosso país, por isso podemos afirmar que a Umbanda ajuda a liberar o karma coletivo existente sobre nós brasileiros que vivemos numa terra nascida do sangue e do sofrimento de muitas pessoas que encontraram no Brasil sua morte e foram arrancados à força de suas raízes, sendo obrigados a viver de acordo com padrões completamente antagônicos aos seus. Foram obrigados a permutar suas verdades por verdades importadas de longe e viverem hipocritamente fingindo aceitar e acreditar naquilo que os impunham.A falta de seus laços afetivos fez com que criassem aqui condições familiares na formação dos grupos.A Umbanda é a única religião que dá este sentido na caminhada espiritual. Existe um pai, ou mãe  que orienta seus filhos e estes, por conseguinte, se consideram irmãos, formando assim uma Família Espiritual ou Família de anto. A irmandade na Umbanda é respeitada porque cada um representa uma força da natureza e juntos representam toda a criação. Num terreiro encontramos diversos tipos de energias presentes nas pessoas e esta riqueza de diversidade se torna mais forte quando se reúne para cantar e orar pela humanidade. É uma religião que não prega a igualdade e sim nos ensina a respeitar as diferenças.

Quando Vovó Luíza diz que: A Umbanda não é a religião dos certos e nem dos salvos e sim daqueles que desejam se acertar e se salvar, vemos que cada um possui uma realidade diferente e não existe uma forma única que devemos acatar ou não, mas existe sim uma necessidade interior de buscar um Deus único que se manifesta diferentemente em cada um de nós.

A noção de família permanece após a morte onde estes espíritos convivem em colônias espirituais. Por isso a Umbanda respeita muito os antepassados e preserva os valores de se respeitar os mais velhos e pedir a bênção a eles para que estes laços sempre se fortaleçam. O filho que não pede a bênção ou respeita o seu pai ou mãe de santo está perdendo a chance de estreitar os laços não só com ele mas com toda a família.. Isso se chama educação no santo, não é um ato obrigatório mas deve nascer do coração a preservação de valores tão simples já perdidos dentro de nossas próprias famílias consangüíneas. O pai de santo é o ponto de apoio entre passado, presente e futuro e é através dele que a energia do Axé circula. O Axé é uma energia transmitida e só é adquirida no dia-a-dia, na convivência de um terreiro. É o conjunto de todas as forças energéticas do cosmo que circula num espaço sagrado para curar as pessoas (médiuns ou consulentes).

Qual a estrutura da Umbanda? Ela trabalha com espíritos desencarnados e ligados a determinadas forças da natureza pela qual este espírito serviu enquanto encarnado. Cada espírito possui a sua função primordial para o médium e para a consulência. Ex.:

. Caboclos- são considerados os “professores”na Umbanda, onde ensinam os médiuns a se portarem diante de toda ritualística, ensinam a cantar, descarregar, ensinam sobre as ervas e propriedades curativas e medicinais, puxam os demais guias para desenvolver, enfim, são primordiais para o equilíbrio da ambiência do trabalho.

. Pretos-Velhos- são considerados os grandes “amigos”, aqueles que sempre estão conosco, trazem consigo a grande lição de que somente com humildade poderemos alcançar verdades interiores que nosso ego nos impede de conhecer. Sua postura desarma os espíritos “armados”e endurecidos que com seus egos inflados se colocam acima da verdade e com isso cegam-se cada dia mais. Diante de um Preto Velho estamos nos colocando na mais completa atitude de humildade, e por isso ele passa a ser o grande nome desta religião quando tudo se torna tão simples que a gente nem acredita. Ele traz consigo a missão de mostrar como é simples a vida e como complicamos com nossas mentes enroladas nos karmas e nos egos.

. Exus – são espíritos ainda presos às condições do mundo e a eles cabe a segurança e a aquisição de coisas do mundo. São ligados ao elemento fogo e por isso possuem a função de transformar energia. Manipulam muito bem o fogo e precisam dele para seu trabalho e até para sua própria transformação. Ainda carregam os mesmos sentimentos dos humanos encarnados como raiva, ciúme, paixões, enfim, possuem seu mundo emocional em alta. Sendo o mundo emocional o primeiro passo que devemos conquistar na nossa evolução espiritual os Exus são considerados por isso espíritos mais próximos da nossa natureza que os outros trabalhadores da Umbanda, isso não significa que não tenham luz ou poderes para curar mas mostra sua prisão espiritual nas coisas do mundo e é de muita responsabilidade do médium o fracasso ou o sucesso da missão deles com estes espíritos. Exu caminha ,mais que os outros guias, junto ao médium e protege seus bens e sua “porteira”de todo inimigo físico ou espiritual. Exu é quem mostra o caminho.

. Crianças – são espíritos infantis que desencarnam sem se macular ainda das coisas da terra. Por serem inocentes e puros têm a condição de trazer à tona o nosso lado que esquecemos com o endurecimento do dia-a-dia. Possuem a função de trazer alegria e exemplificar o que é a pureza da alma. Com o passar do tempo nos ligamos muito a todos os prazeres e desprazeres da terra e as crianças vem nos mostrar o desapego por coisas que nos prendem e ofuscam a nossa capacidade de sermos felizes por estarmos sempre em busca de algo para satisfazer o ego. Pela sua pureza chegam mais próximo do Orixá e não conseguem conviver com energias pesadas   que carregamos. Eles chegam para liberar os nossos corações através da alegria que podemos encontrar nas coisas mais simples que não damos valor como sorrir, brincar, saltar, enfim, relembra tudo aquilo que nos esquecemos e liberta a criança interior nos trazendo ao estado de pureza e inocência como se nós precisássemos reaprender a viver.

.Orixás de Umbanda – são espíritos que trabalham em prol do equilíbrio do planeta e que vivem em falanges de trabalho para uma determinada energia cósmica.. São portadores e representantes da sua energia e trazem equilíbrio às pessoas que necessitam por carência ou excesso da força cósmica por eles representada.

 

Todos os espíritos da Umbanda reencarnaram e trabalham em falanges. Um está ligado ao outro e todos aos antepassados criando uma força sem início nem fim. Quanto mais ligados seriamente ao trabalho da casa, espíritos e médiuns, mais atraem estas forças energéticas como uma concentração para o terreiro, e isso alimenta o Axé e o Axë da casa realimenta as pessoas dando forças e equilibrando suas energias.

 

Outra característica da Umbanda é a MANIPULAÇÃO DE ERVAS e esta deve ser de acordo com as tradições familiares. Todo ritual não existe sem a presença das ervas que energeticamente fazem a união dos mundos vegetal e animal, liberando dos corpos sutis energias densas e difíceis de se  desprenderem de nós.

O que são os instrumentos utilizados na Umbanda?

A bebida – é o purificador de energia do médium. Como os espíritos da Umbanda ficam muitas horas no atendimento, as bebidas como o vinho, chás e a própria água são para ajudar o médium a se descarregar de toda a problemática que está sendo trabalhada pelo guia naquele momento.

O fumo – é a representação da erva para defumar e liberar energias sutis através do cheiro, que ativa setores do cérebro que dispara sensações e emoções e através da fumaça que segue o fluxo do ar ajudando a afastar energias muito próximas e até interiorizadas.

O ponto – é a identidade do guia e mostra sua história e qual a procedência de sua falange. Identifica que tipo de energia aquele Guia trabalha e é sua identificação energética porque através dos símbolos os espíritos reconhecem a sua força..É como se ali ele “amarrasse”vários pontos energéticos criando em torno de si uma aura de proteção e respeito.

A pemba – é para abençoar. É a representação da misericórdia de um Deus amoroso que deseja que nós acertemos o caminho para nossa cura.

O punhal – serve para dar direção àquilo que ele ( o Guia ) deseja. É um instrumento de magia e possui a capacidade de atrair forças negativas e espíritos obssessores para serem amarrados à fonte energética do Guia, neutralizando assim a influência deste espírito.

A água – é o elemento que atrai para purificação. É a representação da possibilidade de se lavar, de se limpar, de equilibrar novamente a energia suja.

A vela – é o concentrador. Faz a concentração do médium com o guia e abre a intuição para que aquele médium seja portador verdadeiramente das palavras do seu Guia. Além disso, ela representa o elemento fogo e ajuda a liberar, queimar e transformar energias sutis como intenções. A luz de uma vela acesa e direcionada rasga o céu e esta luz é portadora da intenção ou pedido feito naquele momento.

Outros instrumentos podem ser usados no ponto dos Guias mas dizem respeito à sua individualidade, porque cada Guia possui suas particularidades e livre-arbítrio próprios.

Um ponto alto de uma reunião é o momento da abertura. Nesta hora toda a problemática das pessoas se encaminha para a corrente e cabe aos médiuns firmar seus pedidos de proteção e caridade para que concentre forças no terreiro para ajudar os outros.

Vir para o terreiro de banho de descarrego tomado é uma das OBRIGAÇÒES do médium, assim como fazer suas firmezas antes de cada reunião.

Fazer sua firmeza significa pedir segurança e guarda ao seu Exu, deixando para ele o elemento fogo para que ele queime qualquer peso que o médium absorva. Em segundo lugar, acender no cruzeiro para as Almas Santas e Benditas que nada mais são do que espíritos da nossa Família de Santo encarregados de socorrer os espíritos que serão atraídos na reunião. O Cruzeiro das Almas também representa os nossos antepassados e a carga hereditária que trazemos de nossa família carnal. Reverenciamos diante dele todos aqueles que vieram antes de nós e que geneticamente nos legaram características familiares que desenham o traço de nossa personalidade atual. É um  dos lugares sagrados de um terreiro.

Os símbolos e rituais tocam diretamente a nossa alma e isto faz da Umbanda uma religião que traz o socorro rápido. Este socorro precisa ser trabalhado. Em que ponto fraco eu fui atingido? Onde estou errando? Porque senão o consulente fica escravo da ritualística e não se dá ao trabalho de se modificar.

A Umbanda não possui uma doutrina escrita como as outras religiões. Ela é própria de cada Família de Santo e se passa oralmente os seus ensinamentos. Um papel importantíssimo para a preservação das tradições é o de Cambono que a ele são dadas todas as informações quanto ao trabalho a ser feito e se tiver um grande interesse na preservação de sua religião poderá fazer anotações e perguntas diretamente ao Guia compilando assim um material específico da Família e do Guia. O Cambono precisa ser uma pessoa discreta e jamais comentar o que o consulente falou ao Guia.

Os Orixás da Umbanda:

OGUM E OXÓSSI – segundo as lendas, foram irmãos próximos e amigos. Um era guerreiro, ligado ao ferro, e o outro, o caçador. Em comum possuíam gosto pela vida ao ar livre, o culto ao próprio individualismo, a determinação para qualquer combate. Mas enquanto um preferia lutar solitário contra as feras da floresta, providenciando alimentação para a tribo ( Oxossi), o outro se sentia vivo quando trilhando as estradas em busca de reinos para conquistar novas terras que ainda não conhecia ( Ogum). Como caçador típico, Oxossi é arisco, gosta de solidão e dos combates astuciosos e Ogum, como ferreiro e guerreiro, mostra-se violento, temperamental, capaz tanto da cólera mais terrível como da amizade mais sincera e profunda.

XANGÔ – é o senhor da justiça e a ele é designado 2 martelos de juiz (OXES), que mostra o seu poder de determinar o que é certo e o que é errado e sua disposição inabalavelmente imparcial querendo e buscando acima de tudo a verdade.Odeia mentira e desculpas. É uma figura sólida, tanto por esse papel como pelo elemento a ele associado:a pedra. Também pertencem os raios. Destaca nele a vaidade e elegância ,consciência de si próprio. Seus filhos possuem força magnética e geralmente alcançam o que querem.

YEMANJÁ – mais famosa das Yabás cultuadas na América. Se na África surgiu como deusa de um rio de água doce, em Cuba e no Brasil acabou sendo identificada como a água salgada. Seu jeito maternal e seu corpo elegante,  grande, com seios destacados e temperamento doce ajudam a estabelecer a imagem a ela associada, das mães enérgicas e firmes, porém, bondosas, capazes de gestos generosos e grandes sacrifícios.

OXUM – mãe da água doce e Orixá feminino que rege a parte baixa do ventre humano; miticamente está associada à figura de uma mulher coquete e sensual porém, mais moderada que Iansã, apreciadora dos prazeres e tudo que é belo e claro. É também a senhora do ouro . Seu estereótipo é o das mulheres que querem subir na vida e, ao mesmo tempo, serem felizes em suas conquistas. Para elas, o conforto, o bom gosto e um toque aristocrático em tudo são essenciais. Suas qualidades são comparadas aos rios calmos e lentos na superfície mas desconhecidos na sua profundidade e cheios de armadilhas no fundo. Diplomáticos e cuidadosos, seus filhos costumam medir muito bem o que falam e evitam atritos frontais.

IANSÃ – deusa dos ventos e dos eguns (almas). Capaz de provocar as mais terríveis tempestades. Elas, porém, não devem ser encaradas como punição e sim como o extravasar do temperamento de Iansã: incontrolável, terrível na cólera e fantasticamente alegre no amor e no profundo prazer que tem de viver. Arquetipicamente corresponde à versão feminina de Ogum; como ele, ela é orgulhosa ,determinada e inabalável em seus propósitos e atitudes, honesta em suas declarações e vital em suas atitudes e manifestações. A alegria é sua marca principal e sua sociabilidade: Iansã divide tanto as alegrias e o prazer como o sofrimento e a cólera quando as coisas se tornam difíceis para com aqueles que a cercam.

OBALUAIÊ – é uma figura que impõe respeito e até medo. Senhor das doenças de pele, é o responsável pelas epidemias, explicada segundo os mitos como um castigo coletivo. Obaluaiê mostra-se sombrio e temível se não for bem cultuado, pode se enfurecer e enviar moléstias. O arquétipo associado a ele é o das pessoas autopunitivas, que provocam em si próprios o autossofrimento e julgam-se culpadas de algo vergonhoso que escondem inconscientemente.Seus filos de santo tendem a ser cautelosos quando falam, fechados e discretos: impõem, como faz o Orixá durante as cerimônias, uma mistura de respeito e terror, mantendo o isolamento que apreciam.

NANÃ – Orixá feminino de origem Daomeana e é segundo as lendas, a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele 3 filhos: Iroko, Obaluaiê e Oxumarê. Na mitologia de Daomé ela é ora feminino ou ora masculino ou até mesmo um Orixá assexuado. É, por tudo isso, a mais velha das deusas e tem associação com a morte como com a posição reservada aos velhos em qualquer sociedade. É o arquétipo das pessoas lentas, agem com calma e benevolência. Julgam ter a eternidade à sua frente para acabar os seus trabalhos. Gostam de crianças e costumam ter a indulgência das avós,

OXALÁ – figura mais respeitada. O pai de todos os outros. De acordo com omito, um dos criadores do mundo, tendo recebido de Olorum (deus supremo) a tarefa de modelar todos os seres humanos. O arquétipo a ele atribuído é o do pai austero e sábio, que tem sob suas mãos todas as decisões sobre a vida dos que o cercam. Ao mesmo tempo que autoritário, é também sensível e compreensivo, pois sua força não se mostra usualmente através da violência, e sim pela capacidade de argumentar e provar o que é certo.Sua cor é branca. A ele são feitos todo tipo de pedidos, já que age em todos os campos através dos seus filhos, mas é responsável direto pelo processo de fecundação.

 

Máxima da Umbanda:  TUDO EU POSSO. MAS NEM TUDO ME CONVÉM.

Quando compreendemos isso, compreendemos que nosso livre arbítrio não é nada diante de Deus. Eu posso tomar a atitude ou não mas as consequências daquela minha atitude não está nas minhas mãos.

Aprendamos isso para conseguirmos ser cada dia mais felizes.

 

Obaraiyê

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