Somos senhores do nosso destino

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Grupo de Estudos X M – Araruama – RJ

       24.09.2003

Somos senhores do nosso destino

Para aqueles que, demasiado ocupados com os seus negócios materiais, não disponham de tempo para se preocuparem com a vida do espírito. Seria, porém, útil dizer-lhes que não existe uma vida separada. Ela se manifesta sob aspectos vários, mas, se o homem for bom observador, verá e sentirá a impossibilidade de realizar uma sem a outra.

Tudo no mundo toma feições variadas e diferentes; porém, segundo a lei da evolução, esta se desenvolve em duas linhas aparentemente adversas mas realmente paralelas; ambas se encaminham para o mesmo destino. Existe uma contínua tendência em separarmos as coisas da matéria e as coisas do espírito, porém, quando chegamos a sentir a Vida em toda a sua plenitude, compreendemos que esta separação é ilusória, não tem sentido real. A correnteza da vida é comparável à da água; esta se fraciona em rios, lagos e mares, que finalmente desembocam e se reúnem todos no grande e generoso oceano, que os recebe num amplexo fraternal. A Vida corre em dois sentidos, que, entretanto, no Grande Oceano da Vida, naquele Oceano que já não tem forma, se encontram e misturam as experiências adquiridas, quer no campo material como espiritual.

Um homem de negócios, absorvido no seu trabalho, está forçosamente adquirindo qualidades e defeitos; as primeiras o levam  mais rapidamente ao fim de sua jornada, e os segundos lhe retardam o progresso; Depende de si saber aproveitar-se das qualidades que o seu trabalho permite conquistar, e evitar ser embaraçado por prejuízos que o encadeiem.

Todo indivíduo representa na terra determinado papel; todos estão em cena ao mesmo tempo. Não é possível representar-se o grande drama da existência humana, sem ter cada um o seu papel a desempenhar no conjunto, para encarnar, viver e combinar harmoniosamente as duas forças chamadas material e espiritual. O importante é que cada qual saiba ser útil, não se esquecendo de que é uma unidade da coletividade, e de que todos os seus atos egoístas e egocêntricos prejudicam o conjunto e criam dificuldades para a sua vida material e espiritual.

O egoísta que só pensa em ganhar dinheiro de qualquer maneira, não percebendo que a seu lado existe alguém sofrendo, e empolgado pela fortuna que deseja acumular, deixa de servir o seu próximo, esquecido de que deve a outros aquilo que possui, mesmo que sejam as qualidades para ganhar, adquiridas por esforço dos pais ou amigos, e engolfa-se totalmente na vida chamada material, esse está se prejudicando material e espiritualmente. Pode enriquecer-se rapidamente; mas a chamada para o outro mundo é lei, e ele criou karma que dificultará suas possibilidades de riqueza em encarnações futuras. Se, ao contrário foi bom e atencioso para com aqueles que estavam em luta; se soube entrar na alma dos que estavam a seu lado e procurou servi-los, e se sentiu a dor alheia, então criou maiores possibilidades de ganhar mais nesta existência e de nascer futuramente com facilidades materiais e espirituais.

Quando o religioso ou o leigo com possibilidades de ajudar alguém, sabe aproveitar-se do seu mister em benefício alheio, esse tem à sua frente um caminho aberto para, nesta ou noutras vidas, ser agraciado pelas coisas materiais e espirituais. Mas, se ele se aproveitou dos bens espirituais recebidos como religioso para não “dar de graça o que de graça recebeu”, sua situação material será difícil, além das limitações espirituais que impedirão os seus futuros anseios.

Há uma ligação íntima entre as duas vidas, e não podemos separá-las. Não é mais possível colocar-se a religião no coração e os negócios no cérebro, ou como dizia um velho mestre, “fazer religião aos domingos como vida do espírito e a vida material nos demais dias da semana”. O karma bom ou mau, criado pelos atos altruístas ou egoístas, não sabe se é domingo ou dia útil. O homem deve habilitar-se a ser capaz de viver espiritualmente em seu serviço, por mais insignificante que este seja.

Não é o tipo de profissão que faz o homem viver ou não do espírito. É a sua atitude interna e os seus atos de amor e de serviço que o tornam espiritual. Quando alguém se acha numa igreja, diz-se que está em serviço espiritual, e quando num escritório, que é material o seu serviço. É puro engano. Se alguém no recinto da igreja está pensando em como ganhar dinheiro em prejuízo de outrem, ou ali se encontra cheio de vaidade, sua conduta é mais do que material. Ao passo que o escriturário que cumpre retamente o seu dever e se esmera em servir aqueles que deles necessitam, está desprendido de si e vivendo em comunhão com o todo, portanto, com Deus.

O que faz com que o homem de negócios não se interesse pelas leis universais, é na maioria das vezes a situação criada por ele mesmo. Empolgado pelas transações feitas ou por fazer, prende-se mentalmente de tal forma aos seus problemas comerciais, que em sua mente não cabe nada mais. O mesmo acontece com os intelectuais, em cujas mentes existe uma escola qualquer limitando-lhes os vôos para expressões mais amplas. Os religiosos também podem limitar-se, qualquer religião ou filosofia formalizada tem o poder de limitar a mente humana, interceptando-lhe a luz do espírito. A todos esses desejamos que, embora em luta consigo próprios, consigam “abrir as portas da mente” e buscar nos recônditos de sua alma a beleza e a verdade ali ocultas.

Se o homem fugir das limitações mentais que lhe foram estabelecidas, ele se encontrará navegando num novo mar, verde de esperança, em que, embora não alcance o infinito, sentirá estar caminhando sem muletas, buscando ele mesmo a sua luz. Em meios de todas as dificuldades se sentirá livre. Não correrá mais o risco de ser vitima de decepções que perturbam a alma no seu caminhar para o além. Será alguém a criar o seu destino, liberto das influências alheias, boas ou más. Quando praticar bons atos, a glória será sua, porque foram produtos da sua mente e coração generosos. Se os praticar maus, não cairá em desesperos, nem sofrerá decepções, porque estará ciente de que ele é o único responsável pelo que praticou ou pelo que lhe aconteceu. Neste estado de espírito, uma nova força será a luz de sua vida e um caminho em terra firme aparecerá à sua frente.

Ao colocar os pés nesta nova estrada, estará consciente de que muitos atalhos e muitos precipícios aparecerão: mas saberá livrar-se deles por si mesmo, porque está ciente de que o homem é o senhor do seu destino, e que foi ele mesmo quem o criou. Estará crente de que as pedras encontradas no caminho foram postas por ele para experimentar a sua força. Saberá parar e erguê-las sem lamentações. Manter-se-á firme e continuará a jornada sempre para frente.

Quando se torna senhor do seu destino, o homem não volta atrás. Pode parar exausto na encosta da montanha, ou subir colinas para o alto, apreciar os despenhadeiros que já venceu. Pode algumas vezes escolher a estrada larga para descansar os pés feridos, e outras prender-se em meio de espinhos que lhe ferem ou cardos que lhe impedem os passos. Mas ele sabe que tudo isto é feito por sua própria escolha, para pagar suas dividas passadas e mais depressa alcançar o cume da montanha.

É o triunfo do homem que sabe o que quer e para onde vai. Não mais lhe importam a seduções atrativas das flores do prado, para ficar extasiado pelo seu perfume. Serve-se para encher a alma de beleza e criar força para caminhar. Como um maquinista que com sua locomotiva sobre os trilhos sabe que vai chegar à estação final, ele está certo de que é o senhor do seu destino e que, nascendo homem ou mulher, rico ou pobre, branco ou preto, no Oriente ou no Ocidente, foi ele mesmo quem escolheu o seu caminho para sofrer ou gozar. Se sofre, não se lamenta; se goza, sabe repartir com os outros a sua alegria e sua paz. Como criador do seu destino, não inveja aquele que mais possui, e ajuda quanto pode o que nada tem. Para ele, todas as profissões honestas são meios para atingir Deus.

Não ignora que a vida é uma só, chame-se material ou espiritual. Procura viver dignamente todos os instantes, de acordo com as leis universais ou divinas, não porque as aprendeu nas escrituras, mas porque se revelam nele próprio. E sente a Vida Universal palpitando a todos os momentos de dores e alegrias no coração da Natureza inteira, que é toda Ritmo, Harmonia, Beleza e Paz!

 

bd

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Livro: “Leis ocultas para uma vida melhor”, por Cinira Riedel de figueiredo; Pensamento

 

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