Mediunidade

“Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim de sua melhoria espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade.”

Livro dos Médiuns

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O que é ser médium?

Usualmente, denomina-se médium aquele em que a faculdade se mostra de forma ostensiva. Entretanto é bom saber que todos os seres humanos têm mediunidade em estado latente, como um princípio, uma semente, que poderá ou não desabrochar no curso da existência terrestre.

Todos os indivíduos são mais ou menos médiuns, no sentido de que somos influenciáveis pelas sugestões alheias, podendo estas partir de espíritos desencarnados que nos desejem influenciar. Isto se dá através da sintonia mental, de forma espontânea e natural, surgindo na mente do indivíduo como uma ideia, um pressentimento, que são chamados de intuição.

A palavra médium significa “aquilo que está no meio”.

Assim, médium é o intermediário, aquele que intermedeia a comunicação de um espírito com as demais pessoas.

A Mediunidade é compromisso assumido na Espiritualidade, antes mesmo de se reencarnar. É como se deixássemos uma autorização ao mundo espiritual para que, quando chegada a hora certa, possamos servir de “elo de comunicação” (instrumento) para os espíritos poderem se comunicar.

A Mediunidade para a maioria dos Umbandistas é sinônimo de muita luta, resignação e sacrifício; por outro lado, ao longo da caminhada, nos proporciona uma imensa certeza do dever cumprido. Os Médiuns de Umbanda são aqueles que vêm com seu perispírito preparado para ser instrumento de comunicação, orientação ou cura nos trabalhos Umbandistas.

    O seu desabrochar representa para o ser humano um horizonte novo que se abre para ele. É um chamamento, um convite a viver o que foi combinado. Um convite a fim de que se volte para o bem, que desperte para as realidades maiores da vida.

     Responsabilidade sim, mas, se vivida com amor, seriedade e disciplina, será sempre fonte de benefícios, em primeiro lugar para o próprio médium.

“Um presente de Deus para você: o Dom Divino da Mediunidade.
Se é um Dom Divino, merece o seu respeito.
O estudo da Mediunidade na Umbanda é simples:
 basta se entregar.
Torne-se um rio de águas serenas e tranquilas para desenvolver o presente de Deus para você:

 a sua mediunidade.”
Vó Luíza

 

Por que então, tantas vezes a mediunidade não é praticada?

Algumas vezes porque esse compromisso é esquecido ou camuflado perante uma sociedade que geralmente olha a Umbanda com grande preconceito.

Tipos de médiuns

  • Médium de Comunicação: São aqueles que incorporam na Umbanda. Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Erês. Sua função é procurar o aprimoramento para ser bons instrumentos, evoluindo cada dia, tentando se afastar de seus erros, vícios, atitudes de maldade, inveja, orgulho e vaidade.
  • Médiuns de Orientação: São os que tem facilidade no esclarecimento de pessoas dentro do trabalho de Umbanda. Alguns jamais incorporam, porém, são usados para orientar e encaminhar Entidades Espirituais no trabalho de “transporte” devido ao seu preparo moral e espiritual já trazidos de outras vidas. Sua função é não se deixar abater diante de situações difíceis dentro do trabalho, doando energia quando necessário àqueles que estiverem precisando.
  • Médiuns de Cura: São aqueles que além de trabalhar com suas entidades habituais, podem ser usados em casos de doenças, por entidades curadoras que através do médium atuam sobre o doente. Sua função é dar condições para a entidade usufruir de sua energia para recuperação e alívio da enfermidade. Essa energia depois é reposta naturalmente.

INCORPORAÇÃO

 

          A palavra “incorporar” tem vários significados:

  •   Ela nos dá a idéia de unir,(incorporar alguma coisa a algo que já temos; unir conceitos ou práticas);
  • Igualmente, nos traz o sentido de reunir ou fazer fusões,(de empresas, instituições, etc.);
  • Também a de introduzir (incorporar um conceito: assimilar e aplicar esse conceito a alguma coisa que já fazemos);
  • E ainda sugere a idéia de dar forma física, forma material ou forma corpórea, (dar corpo).

mediunidade2Na Umbanda, falar em “incorporação” sugere a idéia de “dar passagem a uma Entidade”.

Algumas pessoas temem o fenômeno, esquecidos de que, na incorporação o que acontece é uma espécie de união de dois mentais : o do Guia Espiritual ou Entidade e o do médium, que se sintonizam, “unindo ” os respectivos campos áuricos, para que um possa expressar suas idéias e “falar com a voz do outro”- isso, resumindo na forma mais simples.

Mas o que vai “ganhar corpo”, ou “ganhar forma”, é a expressão das idéias do Guia Espiritual ou da Entidade, bem como a energia do arquétipo. Ao incorporar, os Amparadores da Luz certamente que não se apossam do corpo do médium, apenas irão moldá-lo às próprias características, fazendo com que o médium assuma todo um gestual e movimentos de apresentação do arquétipo que representam, (postura corporal, dança, giros, forma de caminhar, ritmo etc.)E aqui se pode, inclusive, distinguir a psicofonia, estudada no Espiritismo, da mediunidade de incorporação na Umbanda. A incorporação é mais do que “falar por intermédio do outro”, pois também envolve que o médium assuma características do Ser que se manifesta por meio da sua mediunidade e não se limita à comunicação com espíritos desencarnados.

No início da atividade mediúnica, acontece de o médium ficar angustiado, querendo logo incorporar, para “se sentir médium”; ignorando talvez que existem outras formas de mediunidade, igualmente importantes, tais como:

  1. a) a intuitiva ou de pressentimentos –
  2. b) a sensitiva
  3. c) a auditiva
  4. d) a da clarividência
  5. e) de desdobramento o
  6. f) psicografia
  7. g) de cura
  8. h) a que permite falar ou entender línguas estrangeiras
  9. i) a que permite pintar ou desenhar
  10. j) a olfativa
  11. i) a de materialização.

Médiuns em Desenvolvimento

Algumas pessoas chegam ao Terreiro por “amor” outras pela “dor” e outras ainda pela “obsessão“.

Todos devem ter consciência e responsabilidade para saber que antes de se assumir um lugar nos trabalhos de uma Casa de Umbanda, é preciso ter maturidade; ou seja, procurar aprender antes e praticar depois.

Quando um médium ingressa num terreiro é um elo a mais que se liga na corrente mediúnica da Casa, e passa a ter deveres e obrigações, tais como:

 – equilibrar-se ao máximo para que a corrente não perca o equilíbrio, pois quando um elo se quebra, todos caem juntos;

 – aproveitar as giras para troca de energia com suas entidades (com a prática passa a sentir e reconhecer suas vibrações);

– fazer banhos de defesa no dia do trabalho,

– vir com roupa branca designada pela casa; vir sem “badulaques”, tais como: relógios, brincos, pulseiras, anéis, tiaras, correntes, fivelas, etc. (as entidades precisam apenas dos médiuns, não de seus enfeites);

–  vir sem maquiagem;

– quando incorporar, ser responsável pelo material utilizado pelo “seu” guia, como velas, guias, etc.

– seguir o REGIMENTO da Casa.

*Os que chegam pela “dor”, ou seja, chegam através de algum problema que atrapalha sua vida, seu trabalho ou sua saúde, devem ser tratados até que se sintam curados do problema que os afligia e aí então, se tiverem disposição e vontade, podem fazer parte da corrente, primeiro estudando os trabalhos, analisando e tendo a certeza que é o que realmente quer.

*Por último, os médiuns que chegam através da obsessão precisam ser cuidadosamente orientados, tratados e energizados, bem como a entidade obsessora. Com o tempo, quando houver o afastamento da entidade, fatalmente haverá a melhora do médium e aí chega a hora da recomposição da energia perdida.

Geralmente, o primeiro passo para o médium dentro do trabalho de Umbanda é ser “cambono”, ou seja, ajudar a entidade que está atendendo as pessoas.
Quando um médium está cambonando deve entender que mesmo que o Caboclo (Preto-Velho, Criança ou Exu) esteja conversando com outras pessoas durante o trabalho, a entidade continua atuando nele, ajudando no seu desenvolvimento.
Pouco a pouco, com o passar do tempo, os médiuns que forem de incorporação começarão a sentir as vibrações das entidades que começam a se aproximar da sua mente e do seu corpo. Alguns se assustam, outros se retraem, outros começam a inventar
passos para a entidade, e aí começa um período de enorme insegurança para o médium em desenvolvimento.

Os questionamentos começam…

“Será que sou eu ou a entidade?” Essa é a pergunta mais freqüente na iniciação dos médiuns, porque mesmo sentindo que realmente existe uma força maior junto dele, ele não entende como pode ouvir, ou ver, ou saber o que está sendo feito. Ora, seria muito fácil se simplesmente a consciência sumisse e as entidades trabalhassem sozinhas. Mas onde estaria a responsabilidade do médium? Como iria evoluir? Como iria aprender? Na Umbanda a maioria dos médiuns tem consciência do que se passa; alguns tem semiconsciência e raríssimos são inconscientes.

 Os que ouvem e vêem o que sentem durante o trabalho, no começo se sentem inseguros; mas com o passar do tempo, a maior prova que se tem da presença da entidade é o resultado do trabalho junto aos pacientes.

Qual a fórmula mágica que o médium consciente tem para agir corretamente e não mistificar?

 Veja esse conselho:

Seja sincero Luz e Caridade com você mesmo; se você não se enganar, não enganará ninguém.”

CONTINUA…

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