Estudo de Cambono

Na estrutura da Casa de Umbanda, o cambono desempenha um papel de grande importância. É ele que ajuda as Entidades durante os trabalhos. Deve estar sempre atento, mantendo a discrição. É o grande elo entre Entidade e Consulente. Deve esquecer os assuntos pessoais tratados na consulta. A atuação como cambono contribui para o desenvolvimento espiritual.

  • FUNÇÃO:
  1. Servir a Entidade e ao médium;
  2. Orientar o consulente;
  3. Colaborar, material e espiritualmente, com o médium e com a Entidade, antes e depois do trabalho;
  4. Doar energia para o trabalho através dos pensamentos e sentimentos equilibrados;
  5. Orientar o consulente quanto aos banhos, entregas, novas consultas, vibrações;
  6. Permanecer atento à consulta, pois existem regras e procedimentos a serem cumpridos em nossa Casa;
  7. Acompanhar a realização dos trabalhos passados pela Entidade.

  • REQUISITOS:
  1. Responsabilidade: Tanto quanto o médium de incorporação, o cambono precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade e as energias humanas, a fim de poder auxiliar, eficientemente, o dirigente do trabalho e os seus colegas médiuns ou não.
  2. Firmeza mental e emocional: Como, também é, o responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o cambono deve ter grande firmeza de pensamentos e sentimentos, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho e dos outros trabalhadores.
  3. Equilíbrio vibratório: O cambono deve observar sempre a prática do Evangelho no Lar, ou algo similar, bem como a preparação necessária na noite que antecede o trabalho e no dia propriamente dito, cuidando do descanso, da alimentação, da higiene física e mental, dos banhos ritualísticos, da sua firmeza.
  4.  Comprometimento: O  cambono deve ter compromisso:
  • Com a Casa que trabalha, conhecendo e observando os regulamentos internos a fim de segui-los. Explicá-los, quando necessário, e fazê-los cumprir, se for o caso; dando o exemplo na disciplina e na ordem, colaborando, sempre que possível, com as iniciativas e campanhas da instituição.
  • Com o grupo de trabalhadores em que atua, evitando faltar às reuniões sem motivos justos, ou faltar sem avisar o dirigente ou o seu coordenador; procurando ser sempre pontual nos trabalhos e atividades, contribuindo com o bom andamento do trabalho.
  • Com os Guias Espirituais, lembrando que eles contam também com os cambonos para atuar no ambiente e nas energias necessárias aos trabalhos a serem realizados, e que, se há faltas, são obrigados a “improvisar” para cobrir a ausência. Os Guias Espirituais devem ser atendidos com presteza e respeito.
  • Com os assistidos encarnados e desencarnados, que contam receber ajuda na Casa e não devem ser prejudicados pelo não comparecimento de trabalhadores. Todos deverão ser recebidos e tratados com esmero, dedicação, respeito e educação.
  1. Ausência de preconceito: O cambono, não pode ter qualquer tipo de preconceito, seja com os assistidos encarnados ou desencarnados, seja com os dirigentes, mentores, etc. Não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus;
  2. Discrição: O cambono, nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, às informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa. A discrição deve ser sempre observada, não só por respeito aos assistidos envolvidos, encarnados e desencarnados, como também por segurança, para que entidades envolvidas nos casos atendidos não venham a se ligar a trabalhadores, provocando desequilíbrios. Os comentários só devem acontecer, esporadicamente, de forma impessoal, como meio de se esclarecer dúvidas e transmitir novas informações a todos os trabalhadores, e somente no âmbito do grupo, ao final dos trabalhos.
  3. Coerência: Tanto quanto o médium de incorporação, o cambono, deve manter conduta sadia e elevada, dentro e fora da casa em que trabalha, para que não seja alvo da cobrança de entidades desequilibradas, no intuito de nos desmascarar em nossas atitudes e pensamentos.
  • ANTES DOS TRABALHOS:
  1. Levar todo o material de uso comum da Entidade (pemba, velas, bebidas, fósforos, tábua de ponto, ponteiros, fumo, ervas, recipientes para o Terreiro;
  2. Pegar papel, lápis ou caneta, relação das consultas e arrumar o local a ser usado;

  • DURANTE O TRABALHO:
  1. Servir à Entidade quanto ao que ela necessitar nas saudações, vibrações, etc;
  2. Ficar atento à Entidade e ao trabalho que ela realiza, durante a vibração, sem, contudo, ser necessário permanecer ao lado da Entidade, a não ser que seja solicitado;
  3. Ajudar a Entidade enquanto ela risca o ponto e firma o seu trabalho, fornecendo-lhe o material necessário;
  4. Caso sinta necessidade, solicitar um passe para se harmonizar;
  5. Conversar com a Entidade quanto ao número de consultas e o tempo disponível para a realização dos trabalhos.
  • DURANTE OS ATENDIMENTOS:
  1. Manter – se em sintonia mental com o trabalho da Entidade para colaborar na manutenção do padrão vibratório;
  2. Ajudar a Entidade a expressar-se com o consulente, anotando as orientações;
  3. Vibrações especiais, individuais e trabalhos que fujam ao habitual, só com autorização da Mentora da Casa ou da Mãe de Santo;
  4. Orientar os Consulentes para que não consultem com várias Entidades no mesmo dia;

  • APÓS OS ATENDIMENTOS:
  1. Conversar com a Entidade, pedindo orientações quanto ao destino das sobras de material utilizado;
  2. Proteger o médium durante o desligamento da Entidade;
  3. Solicitar ponto de subida para o Ogan, quando solicitado pela Entidade;
  4. Levantar o ponto e destinar o material, conforme orientações recebidas;
  5. Guardar e recolher o material, deixando limpo o local de trabalho.

  • ORIENTAÇÕES GERAIS:
  1. Atender ao trabalho com amor e dedicação;
  2. Ao se locomover pelo ambiente do ritual, não furar nem costurar a corrente;
  3. Evitar conversas com a consulência;
  4. Qualquer dificuldade, pedir auxílio aos responsáveis pelo Barracão;
  5. Não atrapalhar o encerramento dos trabalhos levantando ponto ou guardando material.
  • CONCLUSÃO:

As responsabilidades dos cambonos são as mesmas que a dos médiuns ostensivos, e exigem deles o mesmo esforço, a mesma dedicação e a mesma responsabilidade.

Como vimos não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender sobre os Orixás, os Guias Espirituais, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que todos devemos adotar para alcançarmos à evolução espiritual até o Pai Maior.

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