Os Quatro Elementos

Para os Iorubás, o nº 4 possui uma importância singular.

Toda a criação está planejada segundo a combinação dos 4 compartimentos: Fogo, Terra, Ar e Água.

Durante todo tempo de nossas vidas, estamos desequilibrando e equilibrando este sistema perfeito.

Estes elementos existem em abundância em toda a criação e existem energeticamente em  cada um de nós. Consumimos a toda hora.

Somos constituídos de uma combinação particular destas forças da natureza para podermos vivenciar o nosso karma.

No Candomblé e na Umbanda, todo trabalho é para equilibrar estes compartimentos. Este é o grande segredo e fundamento da nossa religião. Aquele que descobre qual energia consome e como repô-la ou equilibrá-la, tornou-se um grande Mago, um grande Médium.

O corpo é chamado ARA – se decompõe com a morte e é reintegrado à natureza. Foi modelado com uma porção de lama e se reintegra à terra IGBÁ.

“ A terra sofreu e chorou quando uma primeira porção de si mesma lhe foi retirada para modelar os seres e Olorum pediu a Iku (Morte) para devolvê-la.”

A parte espiritual é formada de várias unidades reunidas e cada parte com existência própria:

– ORI – personalidade, destino e individualidade que ninguém herda. O Ori não sobrevive após a morte. Ele é o portador da individualidade de cada ser humano. Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização em cada pessoa. Mora dentro das cabeças humanas, tornando cada um aquilo que é. Ori guarda o nosso passado, nosso presente e futuro. É o nosso baú. Não podemos mudar o destino, mas podemos amenizar, restituir energias usadas erradamente, podemos fortalecer possibilidades positivas, enfim, é com Ori que apertamos ou afrouxamos os nossos nós.

As oferendas, as comidas, são uma grande restituição propiciatória ou expiatória, que garante a continuação da vida.

Existem as oferendas normais, como os ossés, as individuais e as coletivas constantes no calendário litúrgico. Existem também as oferendas de “crises” para restabelecer o equilíbrio e as relações entre os seres do orum e do aiyê.

 

 

EM QUE MOMENTO ESTAMOS UTILIZANDO OS ELEMENTOS?

FOGO – quando estamos lutando, disputando coisas, precisando de coragem para enfrentamento de desafios, quando estamos imprevisíveis, impulsivos, quando sentimos raiva, ódio, irritação, inquietação, ansiedade. A bandeira do fogo chama-se FÉ.

TERRA– quando queremos ver para crer, quando estamos retidos na rotina do mundo, concretizando coisas, ignorando sonhos, intuição, visão de futuro,  medo da desordem, quando estamos aprendendo através da vivência e não escutamos conselhos, teimando situações, apegados demais a pessoas ou coisas, quando estamos pessimistas mas queremos satisfações. A bandeira da terra chama-se APEGO.

AR – quando estamos pensando, estudando, aprendendo, quando estamos nos ligando a muitas pessoas, nos comunicando, quando estamos com excesso de autoridade, pouco sentimento, não cuidamos do corpo e só da mente, quando não atendemos nossas necessidades básicas e ficamos nervosos afetando o sistema nervoso, quando não percebemos nada ao nosso redor, estamos aéreos. A bandeira de ar chama-se RELACIONAMENTO.

ÁGUA- quando estamos emotivos, sensíveis demais, quando temos comportamento ambíguo, irracional, inexplicável, quando não nos adaptamos às situações e sofremos não conseguindo explicar os sentimentos de forma irracional e falamos absurdos, a solidão, o silêncio pertencem ao elemento Água, quando estamos magoados aborrecidos ou queremos absorver tudo para nós não dividindo com os outros, quando estamos coma as emoções â flor da pele, cheios de medo, inseguros. A bandeira da água chama-se EMOÇÃO.

Em todas estas situações e em outras não relacionadas aqui, estamos consumindo estes elementos. Um Candomblecista ou Umbandista não pode enxergar os compartimentos apenas na Natureza. Precisa entender que através do comportamento e das escolhas pessoais lidamos o tempo inteiro com eles – usando apenas em equilíbrio ou desequilibrando-os na nossa energia.

Aí entram os trabalhos, as oferendas, as obrigações, o equilíbrio do Ori e do Corpo (Ara).

O estudo dos 4 Elementos entra em diversos Oráculos como Astrologia, Geomancia Árabe, Odus e Tarô. Isso vem nos mostrar que o conhecimento destas forças nos garante a qualidade do trabalho e a eficácia do mesmo quando reconhecemos em nós e no outro os excessos e carências destes elementos.

Estamos preparando um Curso para ampliarmos a nossa visão e buscarmos o conhecimento da nossa natureza através dos elementos.

Existe uma Mandala Astrológica e Geomântica que engloba muito bem este conhecimento. Na próxima semana vou postar sobre os signos e suas missões.

Podemos buscar o autoconhecimento de várias formas e os Elementos em relação aos Oráculos tem muito a nos oferecer.

Axé!                                                                                                                                   Obaraiyê.

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