O Envolvimento do Consulente na sua Cura

A Umbanda trabalha com a manipulação das forças da Natureza para restaurar  equilíbrio do indivíduo.

            Ao longo da nossa vida, utilizamos destas forças para nossa sobrevivência física e também a distribuímos como seres sociais que somos.

            Deus, Olorum, Zambi Oiapongue, enfim, seja lá qual for a denominação, é o Doador de Luz e a Luz cristalizada gera água que gera vida. Daí a importância das quartinhas sempre cuidadas e cheias para que haja sempre a força de renovação da vida em nós.

            Todos nós sentimos a necessidade da Luz e isso vem como uma ansiedade, uma saudade, um vazio que não sabemos bem explicar, mas mesmo que a vida esteja fluindo bem, sempre falta algo, sempre há um desejo de não sei o quê.

            Buscando saciar este desejo (que é de Luz mas não tomamos consciência) vamos para as comidas, para as bebidas, para brigas, depressões, enfim, vamos bagunçando a nossa energia e criando mais dificuldade para clarear dentro de nós aquilo que realmente nos preencheria.

            Com este desequilíbrio, precisamos ajustar e recolocar ordem na nossa vida, mesmo porque, muitas vezes o próprio corpo também está sinalizando os desajustes. As doenças são instaladas no corpo, fruto destes desequilíbrios, porque as nossas insatisfações, este vazio, esta saudade de não sei o quê não é identificada.

            Normalmente quando estamos percebendo no físico, na vida, procuramos uma terapia ou um Terreiro de Umbanda.

            Os Guias da Umbanda são profundos conhecedores da alma humana, porém não existe mágica num processo de cura, seja qual for, o indivíduo precisa fazer a sua parte.

            Neste momento entra a conscientização da fonte do desequilíbrio, porque estas Entidades precisam colocar o consulente dentro do seu processo e dentro de si mesmo, a causa de toda a desorganização que está instalada.

            Muitos não aceitam. Rejeitam sequer pensar que ele é o causador das suas dores, porém, outros mais humildes e buscadores de cura, desenvolvem sua fé e consciência buscando acertos através de preces e trabalhos para ativar forças da Natureza necessárias ao ajustamento do processo.

            Para a Umbanda a vida é um processo de construção e reconstrução do ser. Se estamos encarnados, precisamos encontrar o caminho da Luz e despertá-la em nós.

            Toda a terapia na Umbanda deve envolver o consulente dentro da sua história e ir trabalhando o despertar para uma vida equilibrada e plena, através do seu reencontro com a Luz Divina.

             Ladainhas, novenas, trezenas, conversas, ebós, bate folhas,correntes, firmezas, lavações de cabeça e amacis… são instrumentos utilizados para devolver ao indivíduo o seu equilíbrio, mas como disse, não existe mágica. É magia, manipulação de forças que atuam naquele momento, mas sem a tomada de consciência necessária de nada adiantará. Será um alívio momentâneo e novamente a pessoa irá cair nos seus desajustes e voltar a sofrer.

            Todo médium que compreende isso, prioriza aumentar sua bagagem espiritual para que o Guia encontre os recursos ao trabalho. Só podemos dar aquilo que temos e um médium ignorante limita o Guia e o atendimento fica sempre medíocre. Não consegue ir fundo, pois não há bagagem suficiente.

            Deus é a LUZ. É o DOADOR de vida e energia. O Homem é o receptáculo, o recebedor desta Luz e precisa estar vazio de verdades pessoais e vaidades para que esta Luz possa preencher o seu “pote”.

            Sem humildade e sem reconhecer que somos apenas canal e não a Fonte, estamos estagnados no processo.

            Da mesma forma o consulente. O Guia precisa esvaziar o “pote” para permitir que entre a Luz e que ela faça o seu papel.

            Enfim, quanto mais maduro e preparado o médium, quanto mais Luz ele já recebeu, quanto mais humilde e amoroso, quanto mais exemplos positivos ele dá, mais condição ele tem de tocar na alma do consulente, e isso não exime que o consulente faça a sua parte.

            A consulta na verdade, passa a ser um chamado, um convite à melhoria daquela pessoa, desde que ela o aceite e abrace a sua vida com mais fé e consciência.

            Que possamos ser exemplos de Luz e Amor. Não com palavras mas com atitudes adequadas e então ter a condição de demonstrar para o consulente que não vale a pena nenhum trabalho de Umbanda se ele não estiver aberto para profundas mudanças de pensamentos, vibrações e emoções, pois com a vibração em baixa conecta-se com espíritos de baixa vibração e tende a culpar sempre os “carregos” sem olhar para si.

            Só conseguimos mais Luz quando aumentamos nossa vibração de amor e fé.

Axé!

Obaraiyê.

 

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