Responsabilidade Mediúnica

 

Iniciamos nossa vida mediúnica numa Casa com total entusiasmo.

Ficamos abismados com as intuições, com os resultados dos trabalhos passados pelos nossos Guias, pela oportunidade de sermos “médiuns trabalhadores”, e isso funciona na nossa cabeça como que “somos bem diferenciados” dos demais.

Aí já começou o bichinho da vaidade a funcionar de forma embrionária.

Depois vem uma segunda fase: a fase aprendizado. Há uma necessidade de mais. Mais conhecimento, mais consulentes, mais atendimentos, mais pessoas buscando nosso aconselhamento. Nesta fase, estamos preocupados em crescer e sermos úteis para o trabalho, buscando através do conhecimento o aprimoramento da vivência espiritual.

Também passa. Movidos pelo bichinho da vaidade não percebemos que só conseguimos adquirir o verdadeiro conhecimento com o tempo e com a prática.

Na terceira fase, começamos a nos cansar. Observar o que o outro que nada faz ou contribui fala, damos ouvidos às famosas “indacas”, vamos perdendo o foco inicial de que somos médiuns e que mediunidade é uma missão.

Passamos a ficar confusos, já fizemos muitos amigos e as rodinhas para festejos e bebidas são constantes convites para denegrir a imagem do irmão ou do terreiro. Depois de algumas cervejinhas, porque nada é proibido na nossa religião, vemos “defeitos” em todo mundo e não poupamos ninguém, nos esquecendo que assunto de Terreiro deve ser conversado dentro do Terreiro e que se meu irmão possui algum “defeito” que me incomoda, o meu papel é contribuir para ajuda-lo e não julgá-lo. É a fase de julgar tudo e todos. Inclusive rotular: fulano é assim, fulano é isso, fulano é aquilo.

Ao longo da minha vida, nunca vi estas rodinhas terem finais felizes.

Passamos para a quarta fase: atacados pela obsessão estamos fracos. Não conseguimos ter vontade de ir à nossa Casa Espiritual e ficamos faltosos. Não é mais prioridade na nossa vida o trabalho mediúnico e muitas vezes damos desculpas esfarrapadas para não atender, mostrando o quanto estamos frágeis e nas garras da obsessão.

Precisamos compreender que assumimos compromissos com nossos Guias Espirituais e que a nossa derrota é a derrota deles também. Estagnamos a caminhada daquele espírito e vamos pagar por isso. Antigamente falavam em “pau guiné” as chicoteadas que a vida dava pelas nossas irresponsabilidades. Mas com certeza não são os Guias que fazem e sim nós mesmos com nossa fraqueza espiritual e escolhas inadequadas.

Um bom médium trabalhador sabe que sua responsabilidade é uma questão de falhar ou não com seus Guias e com a Casa.

Vovó Cambinda nossa Mentora da Família diz que a “obsessão é uma luva de pelica. Ao primeiro toque nos parece macia e agradável. Porém depois, ela mostra as garras e quando vemos estamos presos a elas”.

Assim são as etapas do médium obsidiado.

Vamos observar: o médium que estuda, se responsabiliza, evita julgar o irmão, não desenvolve fofocas ou comentários jocosos, o que confia no seu Guia para sua melhoria e vai trabalhar para que seu Guia lhe recoloque no caminho e não a sua omissão, o que é vigilante, não julga, apenas ama e compreende a sua caminhada e os seus irmãos, não vive faltando ou no pé de outro velho para resolver o seu problema, é fraco? Claro que não. Confia no que traz e no que faz.

Se durante a semana não estamos bem, temos tempo e lugar para nos cuidar para que no dia da reunião estejamos equilibrados. Você se preocupa com isso? Tenta sua melhoria antes da reunião mediúnica?

Mas se “passamos mal” exatamente no dia da reunião ou ficamos desanimados, quase toda semana, prestemos atenção que algo está errado.

O bom médium é como vinho. Quanto mais o tempo passa, mais ele apura seus dons e fica melhor. Quanto mais o tempo passa, a experiência e a prática lhe lapidam e colocam para fora a sua Luz.

O mau médium é aquele das desculpas, das faltas, dos questionamentos, dos julgamentos do outro e vira vinagre, pois o fungo da obsessão azeda o vinho e não mais serve para o deleite espiritual.

Pensemos sobre isso. Sejamos responsáveis pela nossa vida de todas as formas, reconheçamos que somos parte do Todo tanto no Universo quanto em relação de uns aos outros.

A nossa alma adoece quando não buscamos Luz. E quando afastados da Luz nos afastamos de Deus e daquilo que somos.

Onde há Fé a dúvida não entra.

Onde há Compaixão o julgamento não entra.

Onde há Amor tudo se encaixa e passamos a desempenhar o nosso papel por amor a nós mesmos a ao nosso irmão desconhecido ou conhecido que está à nossa procura ou dos nossos Guias e Mentores.

Se você está desencaixado na sua vida mediúnica, lhe faltam estes atributos.

Vá se curar.

Axé!

 

Obaraiyê.

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