Considerações sobre o Tarô

Existem dois tipos de abordagem para o Tarô: uma é estudar o simbolismo dos Arcanos Maiores, porque retratam o percurso da raça humana. Toda a evolução do homem e os padrões comportamentais registrados ao longo de milênios, formando um livro de sabedoria com importantes chaves para o autoconhecimento.  Outra é a utilização dos Arcanos Menores em conjunto com os Maiores, visto que estes detalham o dia a dia, a nossa rotina, as características mais físicas das situações em questão.

Oráculo não é jogo. Por trás do estudo de Oráculos está a convicção de que não existem ACASOS. Na verdade, não existe acaso sem sentido. Ele não é uma aleatoriedade, uma fatalidade ou um capricho do destino. Tudo que nos acontece tem uma razão.

Os Oráculos de uma forma geral, nos fornece a conexão conosco e com o Universo da Criação.

Enquanto não absorvermos esta noção, nos sentimos perdidos e partes do processo, entendendo a vida por retalhos e assim não nos tornamos seres inteiros e conscientes do nosso papel.

No inconsciente existem forças que nos guiam, a nós, seres humanos, e então podemos acessar estas forças que estão à nossa disposição para o amadurecimento e consciência de nossa alma.

Os Oráculos são ferramentas que promovem o diálogo do consciente e do inconsciente e são ferramentas eficazes para estabelecer esta conversa.

A Junguiana Marie-Louise alerta: “Toda aproximação do inconsciente com a intenção de tirar proveito surte um efeito destrutivo”. É análogo à exploração indiscriminadas das florestas, à poluição das águas, que leva ao desequilíbrio biológico. Para a abertura de qualquer Oráculo, precisamos ter respeito e responsabilidade com o nosso universo pessoal e o do outro.

Existem vários tipos de baralhos de Tarô. O mais tradicional e conhecido é o Tarô de Marselha. É considerado um baralho clássico porque as figuras se aproximam das imagens de séculos passados. Uma característica dos baralhos mais antigos é que os Arcanos Maiores, as Cartas da Corte (Reis, Rainhas, Cavaleiro e Pajem) são imagens humanas e em alguns, Os Ases também. As demais cartas são a representação numérica e seus respectivos naipes.

O Tarô de Rider-Waite foi criado no início do século XX, Arthur Edward Waite (1857-1942) e Pamela Colman Smith criaram novas cartas que foram publicadas em 1910 com o nome de Tarô de Rider ou Tarô de Rider-Waite que se tornaram o Tarô mais propagado pelo mundo. Ambos que desenvolveram este trabalho eram membros da Ordem Hermética da Aurora Dourada, famosa associação que existiu em Londres na virada do século. Eles inovaram as representações dos Arcanos Menores e cada carta foi traduzida individualmente por figuras.

O Tarô de Crowley no segundo lugar da popularidade, principalmente nos países de língua alemã e inglesa, reconheceu o trabalho espetacular de Aleister Crowley (1875-1947) ao qual muitos se referem como satanista e praticante de magia negra. Crowley sofreu muito na sua infância e não vivenciou o Cristianismo como mensagem de amor e pregou o fim desta religião apaixonadamente e se auto intitulou anticristo. Na verdade ele pensava que o Cristianismo era uma forma de engessar a consciência das pessoas e manchar valores sagrados pregando o pecado nas necessidades e desejos da alma.

Ao contrário do Tarô de Rider, estas cartas tem um profundo grau de dificuldade, embora sejam belíssimas. O acesso ao seu significado nem sempre é fácil. É necessário ampliar e conhecer conceitos de Astrologia, Cabala, Misticismo para identificar a mensagem.

Além disso, houve uma mudança em alguns nomes até então utilizados nas Cartas. Exemplo: A JUSTIÇA passou a chamar AJUSTAMENTO, VOlÚPIA (XI) é a TEMPERANÇA e outras.

Existem outras versões do Tarô mas aqui colocamos as mais conhecidas e utilizadas.

Não existe o melhor ou pior, o mais ou menos completo ou complexo, existe aquele que você se identifica e as mensagens serão decodificadas pelos insights acompanhados do seu conhecimento e experiência.

Por fim, reconheçamos que esta ferramenta traduz a nossa existência e a evolução enquanto humanos. Seres que precisam de conhecer o seu caminho e trazer consciência e Luz ao seu processo.

Escolha o seu baralho e mãos à obra. Ele não será escolhido por “acaso”. Seu inconsciente traduzirá melhor aquele que lhe convidou a entrar na dança da vida.

Zuleika Menezes.

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